há uma trança linda nessa sua dança, Ondjaki

Descrição

Esta viagem nasceu a convite do Instituto Camões de Luanda, que pretendeu juntar um escritor angolano a um fotógrafo português, deixando o resto em aberto. A ideia era estarmos juntos, viajando de carro (finalmente de carro...) por uma Angola que nos apetecesse, munidos do ritmo humano de uma amizade que acabávamos de inventar. Com o percurso em aberto, afinal – fomos descobrindo...- rumámos para Sul. Fomos assim descobrindo que há sempre um tempo para um encontro e uma estrada que se convida a ser descoberta. Viajar é descobrir – mas também espreitar, ir para ver, estar com o outro. Há viagens que são um lugar à nossa espera – perto do mistério de múltiplos horizontes... Estivemos não (só) em busca de lugares ou de pessoas, mas de encontro às pessoas e às paisagens. Buscando rostos na própria paisagem, e lugares dentro das pessoas. Fizemos mais de 2500Km. Foram tiradas centenas de fotografias. Muitas páginas com notas de viagem e algumas anotações poéticas. Mas são incontáveis os abraços e sorrisos, os olhares de fascínio e os brilhos que encontrámos em tantas paisagens, em tantas pessoas. Vimos uma parte de Angola pelo rosto dessa imensa paisagem, através dos olhares vertidos pela beleza das estradas. As antigas e as novas. Somos pessoas de nacionalidades diferentes, que manejam (tecnicamente, digamos...) artes diferentes. Mas fomos à busca de uma celebração maior: éramos apenas dois jovens sorrindo pelos caminhos aonde a vontade, o sorriso e a curiosidade nos levavam. Dois jovens que queriam registar pedaços de uma certa Angola, sobretudo atentos aos modos e às estórias das pessoas. Há fotografias que se querem em movimento. Há viagens que são um lugar. Fomos (e somos) duas pessoas celebrando a amizade e os laços culturais entre diferentes países. Perto do presente – mas sempre a espreitar o futuro. Ondjaki, 2010